15 Novembro, 2009

Godofredo

Godofredo é um papagaio verde.

Godofredo foi comprado ilegalmente no metrô (selo do IBAMA o caramba), pois acharam que assim poderiam dar uma vida melhor a ele.

Godofredo era filho único, mas alguns anos depois teve que se acostumar com a presença de uma criança de verdade. Aprendeu a falar "pai", "mãe" e alguns palavrões.

Godofredo foi deixado sozinho quando a família foi viajar, caiu do poleiro e ficou pendurado pela corrente por alguns dias. A pata esquerda teve de ser amputada.

Velho, perneta e cada vez mais neurastênico, Godofredo ganhou uma companheira, a Petrúcia. Viveram felizes até o dia em que ela fugiu.

Godofredo, vinte e três anos de idade, passa os dias distribuindo olhares de ódio às pessoas. É um papagaio expressivo.





(é uma história real. escrevo pois sempre tive a impressão de que godofredo era, de algum modo, uma personagem)

13 Setembro, 2009

Oh, le château!

Isso deveria ter sido postado há mais de um mês, mas antes tarde do que nunca...


Latrineiros fiéis, anojosos de longa data, saibam que a Malta não vos abandonou!

Venho aqui para compartilhar uma experiência deveras peculiar quando num lugar mundialmente conhecido pelas suas vaquinhas, florzinhas, chalézinhos e chocolatinhos (tudo no diminuitivo da perfeição de quem dispõe dos mais altos subsídios agrícolas do mundo).

Lá estava eu, lampeira e deslumbrada como qualquer turista que se preze. O lugar do dia era o Château de Chillon, monumento do século XII surpreendentemente preservado apesar da falta de respeito de alguns visitantes:


Enquanto perambulava de um ambiente para outro (sala de jantar 1, sala de jantar 2, sala de jantar 3) pude perceber que não havia muitos visitantes. Isto é, até que eu cheguei ao cômodo mais disputado:


Aparentemente todos os turistas estavam ali! Claramente tinham caído no encanto daquele ambiente pequeno e acolhedor. As pessoas não queriam ir embora e literalmente riam à toa.


Devo admitir que a simplicidade destas latrinas é adorável, mas o que me surpreendeu mesmo foram as notas explicativas (?) colocadas pelos historiadores:



ou

percebam como a fotógrafa habilmente consegue evitar reflexos

Enfim, dava gosto ver a alegria dos visitantes quando deparados com as latrinas (não que seja uma reação inesperada, é claro). Ver esses buraquinhos de madeira fez o meu dia - e o de muitas outras pessoas, tenho certeza.


***



puro luxo: cagar no Lac Léman

Marcadores:

26 Abril, 2009

Nessie está com os dias contados


Assim como muitos duvidavam da longevidade desta Latrina, muitos mais tinham certeza de que a celebração de hoje não aconteceria.

Claramente subestimaram a obstinação de um certo sujeito em disseminar a cultura escocesa.

Pois hoje o mundo está em festa: no Azerbaijão meninos foram vistos usando kilt; no Sri Lanka os conflitos foram suspensos e um som de gaita de foles enchia o ar; no Egito, misteriosas mulheres andavam nas ruas do Cairo distribuindo cardos, e até na Inglaterra foi feriado nacional.
Sim caros latrineiros, hoje faz cinco (cinco!) anos que o Scottish Man entrou em nossas vidas e despertou o instinto escocês de cada um de nós.

E a prova de que esta é uma comemoração importantíssima e potencialmente cabalística, este ano de 2009 também é o ano em que Robert Burns faria 250 anos. Lembrem-se: ao contrário do monstro do lago Ness, coincidências não existem.


Mas este post é na verdade uma tripla comemoração, pois um de nossos amigos (também um latrineiro fiel) vai passar uns tempos na Escócia. É claro que o Scottish Man ficou extasiado com a notícia, e fez questão de escrever algumas palavras, que reproduzimos aqui:

My wee lad,
I must say I am extremely proud of you. I takes a lot of bravery (like the one of the old heroes of the past) to cross the ocean in search of your Scottish roots. I mean bravery because you are probably never coming back, Scotland is such a wonderful, stupendous, superb, glorious, phenomenal land that you'll feel that's where you belong, and will never want to leave. But bear in mind that the most important thing is to honor the Scottish traditions, and not see it as a burden, but as a privilege. So do not feel embarassed if people snicker when you wear a kilt at all times (as I am sure you will); they are just jealous.

See you in Perth! (that's the heart of Scotland, not Edinburgh)
Montgomery McDowell

P.S: The true queen is Mary Stuart, not that creepy old lady in Buckingham Palace.