10 abril, 2008

DENÚNCIA

Hoje estava eu voltando para casa na condição de passageira no carro de minha mãe na Raposo Tavares: e não é que já começou essa história de horário político de duração de 10min nas rádios por volta das 20h?
É ai, que começa mais um palhaçada, e surge uma dúvida... quem já entrou no "Um Copo de Sake" sempre ouviu uma musiquinha criar o clima deste blógue, e não é que foi essa música que iniciou o horário político desta noite?
Pois é Thomás Zicman de Barros, o que a sua musiquinha estava fazendo no programa radiofônico do PMN? Seria verdade que esse ultra-liberal estaria envolvido com tal partido progressista? Será que descobrimos a verdadeira vocação de nosso amigo?
(hahhahahahahaha - espero respostas!)
As razões podem ser muitas, mas não é verdadeiramente essa a questão que proponho. Hoje foi dia de aula de Sociologia, dia de bandejão e dia de ver a irmã do Café Filho, ao vivo e a cores...
Hoje, foi afinal mais um dia na vida desta pobre aluna de Ciências Sociais, que fica cada dia mais confusa com as manobras políticas dentro e fora da faculdade, sobre a realidade da política brasileira.

Marcadores:

19 novembro, 2007

Manifesto de uma Agregada - Anexo V

Um dolcíssimo pedaço do paraíso...
(eu ainda vou me lembrar aonde estão a Branca de Neve com os Sete anões e a Bruxa má).





Marcadores:

11 novembro, 2007

Manifesto de uma agregada - Parte VI

Arquitetura da destruição

É incrível assistir ao fenômeno da proliferação de lançamentos imobiliários.
A maioria das famílias suburbanas é composta por pai, mãe e um casal de filhos. A dondoca tem como inspiração ser a futura primeira-dama de Barueri, enquanto o patriarca trabalha em um dos galpões, que prolifera um cheiro de tutti-fruit pelos ares. Os filhos têm como modelo os pais.
São mais de 5000 casas naquele humilde pedaço de paraíso sobre a Terra; a maior parte dos moradores declara-se branca e possui um animal domesticado.
Nada como sair às ruas com seu belo cachorrinho e admirar as maravilhas da arquitetura atual: palacetes ao estilo “Noviça Rebelde”, casas americanas com um toque de “Anos Incríveis” e latifúndios à “Fascio di Combattimento”. Porém, o au concours do condomínio e grande lançamento é uma área elevada reservada para grandes terrenos que abrigam mansões com vista para os campos aveludados de golfe.
Os jardins possuem aparência plástica; faunos e deusas seminuas caminham entre os pássaros que nascem entre primaveras e azaléias.
“Veja Banzé! A Branca-de-neve e os sete anões. Olha! A bruxa má está mais distante, atrás de um arbusto. Está bem, deixe seu presente para ela” .
Os sapos e os cata-ventos quixotescos também convivem em paz com as fontes e alvos pedregulhos.
É como se tudo estivesse sintonizado na Cultura FM.

Marcadores:

26 agosto, 2007

Na sala B206 do ENEM tem:

O malandro com tênis de skatista
A crente com óculos de sol D&G
O motoqueiro
A praga
[sinônimo de corinthiano]
O descendente de japa
A loira-falsa
Gente com um perfume tão forte
[que você é obrigado a mudar de lugar]
A perua de unha vermelha
O maloqueiro de boné
A porra-loca de All Star
A menina toda de rosa
O neguinho com camiseta do Ozzy
A chocólatra - no caso, eu
A patriota de trança
O perdido

Na minha periferia, toda família espera a saída
[com roupa de domingo]
sua ilusão é pró-uni
[e seu inevitável destino é estatística]

Marcadores: ,

20 junho, 2007

Diálogo pela manhã

Eu desci a escada e entrei na cozinha.
Pai: Dormiu bem?
Eu: Tudo
Dirigo-me a bancada e preparo o meu leitinho.
Eu (finalmente entendendo a pergunta e rindo): Sim?
Eu (ainda rindo): Dormi?
Pai: Pra mim foi pouco.
Ele continuou a ler o jornal, normalmente.
Nessa hora, eu estava tendo um ataque de gargalhadas internamente, às 5h45 da manhã.

Marcadores:

11 fevereiro, 2007

Manifesto de uma Agregada - Parte V

Outro dia começa, o galo canta ao nascer do sol – porém o animal não tem noção do horário de verão, então ainda é noite. Da minha cama me levanto, abro a janela e rapidamente o cheiro de orvalho chega a mim, observo meu quintal da sacada, está nublado, mas enxergo as copas das árvores, o som dos pássaros é intenso e uma nuvem de pernilongos me ataca; arrumo a cama e começo minha rotina rural. Criamos muitos animais e nessa época o pomar não está carregado.
Desço as escadas correndo ainda com o cadarço desamarrado, chego na cozinha. Sentado, lendo jornal, meu pai me espera com uma cara de reprovação; já são seis horas e eu ainda não arrumei a mala, não tomei café e não alimentei os animais. Engulo meu leitinho (LEITCHEEEEEEENHO) e ponho pra dentro um pedaço de pão.
Vou para o quintal, as cabras gemem e pulam na minha direção, estão completamente desequilibradas e sujam toda a minha calça, mas é só dar a ração que elas silenciam. Subo as escadas novamente – Te espero no carro e amarra esse tênis! – e quase caio pisando no cadarço. Faço tudo o que tenho que fazer, estou pronta para partir. Abro a porta da cozinha, os porcos me rodeiam e ao primeiro passo sinto pisar em algo com consistência duvidosa, levanto o meu pé esquerdo, o que vejo não me agrada e sinto um cheiro pouco agradável...

***
– Você não vai chegar ao colégio a tempo. Seu tênis continua...– entrando no carro tenho que encarar a cara do meu pai novamente, tenha paciência!

Marcadores:

19 janeiro, 2007

Manifesto de uma Agregada - Anexo IV

Casa No Campo
Elis Regina - Composição: Zé Rodrix e Tavito


Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais

Desculpe me adiantar, mas esse dia não deve passar em branco.
25 anos sem Elis.

Marcadores:

06 janeiro, 2007

Manifesto de uma Agregada - Anexo III

Tema de São Paulo
Sinfonia Paulistana

São Paulo
Que amanhece trabalhando
São Paulo, que não sabe adormecer
Porque durante a noite, paulista vai pensando
Nas coisas que de dia vai fazer
São Paulo, todo frio quando amanhece
Correndo no seu tanto o que fazer
Na reza do paulista, trabalho é um Padre-Nosso
É a prece de quem luta e quer vencer

Começou um novo dia, já volta
Quem ia, o tempo é de chegar
Do metrô chego primeiro, se tempo é dinheiro
Melhor, vou faturar
Sempre ligeiro na rua, como quem sabe o que quer
Vai o paulista na sua, para o que der e vier
A cidade não desperta, apenas acerta a sua posição
Porque tudo se repete, são sete
E às sete explode em multidão:
Portas de aço levantam, todos parecem correr
Não correm de, correm para
Para São Paulo crescer

Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora

Marcadores:

04 janeiro, 2007

Manifesto de uma Agregada - Parte III



Que saudades do meu manifesto! Contudo, me desanima saber que alguns leitores confundem qualidade e quantidade... A eles, só desejo o meu desprezo.

Nas minhas idas e vindas, foi na primeira série que conheci a pessoa que me acolheu e ofereceu abrigo nas noites frias de São Paulo. Sempre com uma bicama reservada para meu corpo cansado e uma toalha para um banho quente. A nostalgia não me pertence e considero textos lineares pouco originais, portanto, chego ao presente.

Se você estiver lendo, acredito que – por vários motivos e fatos – neste ano, não usufruirei de seu coração solidário e de sua casa (onde o Sol invade pela janela e se despede ao entardecer).
Agradeço o acolhimento.

Marcadores:

06 dezembro, 2006

Manifesto de uma Agregada - Anexo II

Tônio e a Bandeira de Limites

Raposo.
Raposo.
Eterno.
Eterna.
Raposo Tavares matou um monte de índios.
Raposo Tavares é um herói!
Raposo Tavares, um símbolo da determinação paulista.

Raposo.
Raposo Tavares.
Rodovia SP-270. Foi modernizada. Antes, a parte que cortava Cotia era quase que uma avenida congestionada da cidade. Estrada, Avenida, Cidade, Trânsito, caos.
Hoje demoliram as lojas da "Avenida", construíram um viaduto por cima de Cotia, ampliaram Raposo Tavares.
SP-270.
Penso naquele povo, antes era presente.Cotia era Raposo,
Raposo era Cotia. Hoje Cotia está sob um viaduto. Vamos alimentar com o lixo de nossos carros os pobres infelizes que restam lá embaixo.
Corre, Cotia.
Índio, na oca da tia.

Raposo Tavares, hoje está bem melhor, mais rápida.
Raposo Tavares.
Matador de índios.
Raposo. Raposo Tavares.
Raposa.

Defecado pelo B.

Marcadores: ,

Manifesto de uma Agregada - Parte II

Raposo Tavares desbravou do sertão ao Amazonas, conheceu o país de norte a sul, exterminou índios e, coincidentemente, é chará do meu pai. Pelo menos eu não tenho que usufruir de uma estrada que tem nome de ditador – mas, talvez, tocar na ferida incomode a leitora, que prefere passear pelo shopping.

Raposo Tavares, a rodovia do amor – ganhou esse apelido por possuir uns 30 motéis no caminho – porém, esse pessoal é muito moralista, na verdade, sem moralismos... é a rodovia do sexo.

Quando eu freqüentava o jardim de infância, no começo de minhas migrações pendulares, o tempo passava muito devagar na estrada. Por isso, eu comecei a inventar brincadeiras para passar o tempo: achar o alfabeto nas placas, descobrir todos os tipos de veículos que existiam, elefantinho colorido de carros, fingir que minhas mãos eram dinossauros...

O rádio sempre me influenciou, já que eu o escuto, aproximadamente, três horas por dia há 17 anos; No ginásio, meu dia só começava depois de escutar “tema de São Paulo” e, ao longo dos anos, percebendo a paisagem se modificar a cada dia, vendo favelas e galpões multiplicando-se, apreensiva em relação à FEBEM, e notando a diferença que o Rodoanel trouxe à região, percebi que dependendo da trilha sonora, do rádio ou de um CD, a Raposo muda todos os dias diante de meus olhos, a percepção se torna completamente diferente, e a janela transforma-se em uma tela em movimento.

Porém, esse é só um comentário irrelevante...

Marcadores:

01 dezembro, 2006

Manifesto de uma Agregada - Anexo I

Atendendo a pedidos, aqui vai a prova...

Marcadores:

30 novembro, 2006

Manifesto de uma Agregada - Parte I

Nasci na primavera de 89 – ano da queda do muro de Berlim e das eleições para presidência – no coração de São Paulo, a Avenida Paulista. Porém, moro no subúrbio desde que sai da maternidade; Quando eu era um bebê, fofinho e bonitinho, minha casa – cuja existência era uma mera hipótese – estava entre as primeiras do condomínio. O supermercado mais próximo ficava a uns 5 km da minha residência e era preciso pegar a estrada, a Raposo Tavares (elemento importante em minha vida), para chegar ao destino.

Apesar de sempre ter estudado em Sampa, a distância só me afetou drasticamente quando comecei a cursar o Ensino Fundamental II e tive que me acostumar a acordar às 5h30min da madrugada – aliás, vocês não têm noção de quanto isso afeta no humor de uma pessoa, principalmente se ela sofre de insônia. Continuando, sabe de uma coisa? Eu cansei de escrever, outro dia eu continuo... Seria mais interessante eu me dedicar a “A História dos Subúrbios”.

Marcadores: